quinta-feira, 8 de junho de 2017

Qatar: um bode expiatório para incendiar o Golfo Pérsico

A Arábia Saudita encabeça uma longa lista de países que anunciaram o corte de relações com um pequeno país do Golfo Pérsico: o Qatar. Alegadamente o Emir do país terá feito declarações na internet que sustentam o apoio ao Irão e a grupos extremistas. O mesmo Emir já afirmou não ter feito essas declarações, mas sim ter sido alvo de um ataque informático e os próprios serviços secretos americanos perfilham a mesma posição, embora sejam conhecidas as posições deste país de não repúdio do Irão xiita ou de grupos como os Irmãos Muçulmanos ou o Hamas. Muito longe ainda assim da violência de grupos como o Daesh.
No entanto, parece pouco, muito pouco para uma decisão desta envergadura, sobretudo quando a mesma tem na linha da frente o berço do salafismo e wahabismo e que dá enquadramento ao terrorismo sunita inspirador de grupos como o Daesh e al-Qaeda, a começar pelo recurso à educação via madrassas.
Esta posição de países como a Arábia Saudita vem dar um forte contributo à instabilidade na região e ao ainda maior enfraquecimento das tíbias relações entre o Islão sunita da região e o Islão xiita designadamente do Irão.
E para contribuir para o agravamento dessa instabilidade, Trump que há escassas semanas tentava vender armamento ao Qatar ("beautiful military equipment"), apoia agora a posição da Arábia Saudita, afirmando que este poderá ser o princípio do fim do terrorismo. Recorde-se que o Qatar é aliado dos EUA, ou era.
Deste modo, o inepto Presidente americano fecha a porta à diplomacia, uma vez mais, esquecendo-se inclusivamente da importância estratégica deste pequeno país: importância quer do ponto de vista dos ataques aéreos a regiões dominadas pelo Daesh, quer pelo simples facto dos EUA terem precisamente no Qatar uma enorme base militar. Trump vem relevar, novamente, que desconhece o conceito de diplomacia e que aquilo que ele faz no twitter mais não é do que um conjunto de exercícios próprios de crianças, mas com consequências inquietantes. Afinal de contas, e inacreditavelmente, trata-se do Presidente dos EUA.
Neste contexto de hostilização do Qatar por parte de países vizinhos, encabeçados por uma Arábia Saudita que não se cansa de lutar pela total hegemonia na região e com um Presidente americano que é simplesmente um desastre, estão reunidas as condições para o recrudescimento da instabilidade na região que poderá ter consequências verdadeiramente trágicas, com contornos de guerra aberta entre alguns países da região.


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