sexta-feira, 25 de maio de 2018

Brincar às lideranças mundiais II


Para aqueles que acreditaram que Donald Trump poderia de facto ser um líder mundial e contribuir positivamente para a resolução do problema norte-coreano, a desilusão chegou em força nos últimos dias.
Ora, Trump, depois de mais exercícios de puerilidade, declarou finalmente não estar presente na cimeira com a Coreia do Norte, afirmando “não ser apropriado, neste momento”. Horas depois o Pentágono reforçou o seu apoio ao Presidente e declarou estar pronto para atacar a Coreia do Norte esta noite… “já esta noite”.
Por conseguinte, aqueles que acreditaram que a os cowboys americanos estavam mais calmos, tiveram nova desilusão.
Entretanto, a Coreia do Norte demoliu campo de testes nucleares.
Os cowboys, esses, liderados por um Presidente inepto e pueril, insistem no campo da confrontação, sem oferecerem razões que justifiquem essa estratégia, sem razões para além de andarem a brincar às lideranças mundiais.
Se provas fossem necessárias com o intuito de demonstrar que esta Administração americana não só é um desastre como absolutamente incapaz de funcionar como liderança, a forma como o dossier norte-coreano tem sido gerido é suficientemente taxativa.
Ávidos por um nova guerra, apoiados por uma poderosa indústria do armamento, mas incapazes de apontar no mapa o país ou a região para fazer a dita guerra, esta Administração aponta em várias direções, um pouco como aquela criança, mascarada de forma anacrónica como um cowboy que, com a sua pistola, aponta e dispara em todas as direções. E para aqueles que consideram a analogia exacerbada, demonstrem que a geo-política americana não se transformou num carnaval.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Brincar às lideranças mundiais


O vice-Presidente americano, Mike Pence, alertou o líder norte-coreano, Kim Jong-un para não brincar com Donald Trump, designadamente se a famigerada reunião entre o líder americano e norte-coreano sempre se realizar em Singapura. Mais concretamente Pence afirmou que “seria um grande erro Kim Jong-un pensar que pode brincar com Donald Trump”.
Tudo isto faria alguma espécie de sentido se Trump fosse dado a coisas sérias e não se comportasse como uma criança empenhada em “lixar o outro puto” - Barack Obama. Só assim se explica que se tenha deitado fora parte da lei Dodd-Frank aprovada no rescaldo da crise do sector financeiro em 2008, com o cunho, claro está, do Presidente da altura Barack Obama. Só assim se explica mais uma machadada na pouca regulação e supervisão do sector financeiro.
Trump brinca às lideranças mundiais, cheio de si próprio, continua a considerar necessário hostilizar aquele líder norte-coreano difícil de definir. Depois de “fogo e fúria” e outras ameaças, depois ainda de andar a brincar aos cowboys, o Presidente americano insiste num caminho sem saída, mesmo depois de tomadas de posição históricas por parte da Coreia do Norte.
Na verdade essas decisões históricas, a começar pela desnuclearização da Coreia do Norte não parece suficiente para refrear os ímpetos pueris de Trump. O Presidente americano de duas uma: ou quer “lixar o outro puto” (Obama) ou quer meter-se com o outro miúdo Kim Jong-un), aparentemente mais fraco, mas indiscutivelmente estranho e imprevisível.

terça-feira, 22 de maio de 2018

António Arnaut


António Arnaut, fundador do Partido Socialista, faleceu ontem. Todas as homenagens são justas.
Aquele que ficou conhecido por pai do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que manifestava não apreciar o epíteto foi sobretudo um humanista. Na verdade já se sente a falta de quem apregoou o humanismo e o sentido de justiça. Arnaut não apreciava o epíteto, mas a verdade é que lhe devemos muito.
O SNS anda pelas ruas da amargura e a melhor homenagem que se pode prestar ao fundador do Partido Socialista é lutar para que o SNS saía deste caminho deplorável que tem vindo a percorrer, sobretudo na última década, com a degradação dos serviços e com o frequente desrespeito pelos profissionais de saúde.
António Arnaut não apreciava que o considerassem pai do SNS e é bem verdade que todos somos responsáveis pelo estado da Saúde pública em Portugal; todos devemos estar empenhados em lembrar aos de hoje que vergar-se perante as instituições europeias já não é opção e culpar os de ontem pelo estado do SNS também tem deixar de o ser.
A António Arnaut devemos muito e todas as homenagens serão justas, lembrando o humanista, mas sobretudo lembrando a importância de intensificar a luta por um SNS digno.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Um país monotemático


Há perto de uma semana que a comunicação social entretém o país apenas com recurso a um tema – uma espécie de novela com um presidente de um clube, depois dos jogadores desse clube terem sido alvo de agressões no seu centro de estágio. Há perto de uma semana que todos os outros assuntos foram relegados para a mais absoluta irrelevância: Palestina e Israel, Coreia do Norte, etc.

Mesmo no que diz respeito à vida interna, o país está em suspenso até segunda-feira, dia subsequente à realização de uma final de futebol.
A classe política essa não se afasta totalmente do futebol porque sabe a importância que aquilo que deveria ser um mero entretenimento tem para a vida de muitos cidadãos. Nesse precisa medida, a classe política não se imiscui de cair na tentação de comentar os assuntos futebolísticos. De resto, o país está também em suspenso na medida em que foi preciso chegar até domingo – dia do tal jogo – para se perceber se Marcelo Rebelo de Sousa iria ou não comparecer à tão ansiada final.
O país, a reboque da comunicação social e despido de uma classe política que resista às tentações do populismo, no que diz respeito ao futebol, cai num único tema e sem que daí saía qualquer espécie de reflexão, tudo encarado num contexto de normalidade.
Na verdade, o que se passou com o clube de futebol nunca foi apenas um caso de polícia, mas um assunto a que toda a pátria diz respeito, sobretudo quando transformado em novela de pacotilha.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Política e futebol

Rio Rio, recém Presidente do PSD e ainda e eternamente à procura do seu lugar, aconselha os políticos a ficarem longe do futebol, seguindo o seu exemplo, aparentemente. Rio parece querer criticar quem se aproveita politicamente dos êxitos no mundo do futebol. Fica-se no entanto sem perceber a correlação entre esse aproveitamento e a entrada de meia centena de criminosos na Academia do Sporting. Talvez fosse mais certeiro falar na responsabilidade dos dirigentes desportivos e dos políticos que dão cobertura a um mundo à margem da lei.
Também não se entende se era suposto os políticos ficarem agora no silêncio - um silêncio que seria forçosamente comprometedor e inaceitável tendo em consideração a gravidade dos factos.
É evidente que todo este show de Rio prende-se com a necessidade de lembrar a sua existência, recordando também a sua própria conduta em relação ao Futebol Clube do Porto. Com efeito, Rio afastou-se, e bem, do futebol tantas vezes conspurcado pela corrupção e pelo crime generalizado. No entanto, vir agora exibir a conduta, sobretudo agora que muito se está a desmoronar, é puro exibicionismo barato - exercícios tão necessários ao anódino líder social-democrata. De resto, não é de estranhar que quando os jornalistas lhe pediram soluções para o problema, a resposta tenha sido: "Deve ser debatida por agentes políticos e desportivos, uma atitude que acabe com isto". Obrigada Sr. Rui Rio, foi uma grande ajuda!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A fundação para uns, a catástrofe para outros

Ontem uns celebraram a tão ansiada fundação do Estado de Israel, enquanto outros lembram 70 anos de catástrofe (Nakba).
Para agravar, Donald Trump aproveitou a ocasião para inaugurar a tão prometida embaixada americana em Israel, incendiando uma região a arder há setenta anos. 
Israel aproveitou a ocasião para quebrar aqueles que não aceitam as imposições do Estado hebraico. Perto de sessenta palestinianos já perderam a vida.
As imagens de dezenas de mortos palestinianos, o isolamento daqueles que preconizam Jerusalém como capital do Estado israelita e a violência das armas israelitas contra as pedras e paus palestinianos dão força precisamente à causa palestiniana. O mundo olha para o povo palestiniano como vítima da chacina israelita. Ficamos por saber se Netanyahu e Trump percebem o quão contra-producente é a sua actuação. Para o mundo fica a ideia da catástrofe (Nakba) e não da celebração pelos setenta anos do Estado hebraico.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Deitar gasolina para cima do incêndio

Donald Trump, Presidente dos EUA, alheio às consequências dos seus actos, ou nas tintas para as consequências dos seus actos, assistiu, à distância é certo, à abertura da embaixada dos EUA em Jerusalém, contra tudo e contra todos, com o natural beneplácito israelita. Ivanka Trump representou o pai.
Por muito que se tenha alertado para as consequências de deitar mais gasolina numa região a arder há 70 anos, Trump insistiu. Perto de 60 palestinianos já morreram em apenas um dia.
Por outro lado grupos terroristas apelam a uma resposta violenta.
Do ponto vista diplomático, vários países decidiram não se associar a esta decisão, Portugal incluído. E neste particular Portugal posicionou-se do lado certo.
Na verdade, Trump está-se nas tintas para as consequências dos seus actos. Por um lado fortaleceu, julga ele, a posição israelita; por outro o que está a arder mantém-se longe de si e do seu ego. No entanto Trump sabe bem o significado político que a abertura da embaixada dos EUA em Jerusalém carrega e que essa decisão tão desnecessária resulta em morte, em mais morte.